Três junhos em Londres

Capítulo 04 "“If we could only have this life for one more day”"


Três junhos em Londres - Por Yash
Capítulo 04 “If we could only have this life for one more day”

As coisas pareciam calmas, pelo menos era o que eu tinha imaginado. Ele não tinha mais me procurado e nem tinha dado sinal que estava vivo. Segundo tia Chloe e eles foram para Bolton em turnê, isso já tinha feito um mês.
Um mês que eu estava entre a felicidade e a tristeza, mas eu não poderia arriscar a minha felicidade pela dele, eu nunca me perdoaria. Tinham se passado tanto anos mas as coisas pareciam voltar com tanta força que eu não conseguia fechar os olhos e dormir sem pensar em . Eu tinha que parar e respirar. Sentei no sofá que ficava em frente a janela que havia uma vista privilegiada do luar e as estrelas de forma tão linda que nem tinha parecido ser real. Abri o caderninho vermelho que tinha ganhado há um mês pela minha professora de teatro e passei a mão pela capa, tinha pintado o caderno neutro e sem vida de vermelho e tinha colocado purpurinas pratas em volta com um uma enorme estrela dourada no meio. O abri e comecei a escrever todas as coisas que estavam dentro do meu coração, todas as coisas que eu não conseguia parar de pensar e todas coisas boas que que haviam acontecido em apenas um mês aqui, que no Brasil demoraria cinco anos para acontecer.
Parei de escrever e olhei pela janela e suspirei encostando a cabeça na parede, tinha que aprender a parar de pensar em coisas que ainda nem aconteceram, mas as minhas lembranças tinham voltado, e mesmo que eu precisasse, não queria me livrar delas.

Flasback On
balançou os pezinhos mais uma vez tentando se balançar, mas não conseguiu alcançar o chão e sorriu triste com a tentativa falha. Sentou-se no balanço segurando a grade enquanto seus pés estavam pendurados tentando alcançar o chão. Quando seus olhos encontraram os de viu que o menino sorria pra ela. - Por que tá triste? - Ele perguntou preocupado com a menininha de quatro anos que olhou pra ele e abaixou a cabeça. - Não consigo balançar, meus pés não alcançam o chão – explicou e sorriu. - Você quer ajuda? - sorriu para a menina que sorriu tímida para o garotinho que se posicionou atrás dela. - Não me deixa cair , por favor – ela enquanto balançava a menininha que sorria contentemente. - Eu nunca te deixaria cair, .
Flasback Of
Quando me dei conta, estava sentada no balanço nos fundos da casa de Tia Chloe, ainda não tinha entendido porque aquele balanço continuava ali, talvez ela queresse guardar lembranças da infância de seus filhos, ou talvez fosse apenas um objeto esquecido em um enorme quintal. Segurei as grades do balanço e coloquei a cabeça sobre ela com aquelas lembranças, não tinha entendido porque isso estava acontecendo agora, todas essas lembranças que faziam meu coração sentir saudades de algo que eu mal tive e que foi roubado tão brutalmente.

- Gostava de me balançar aqui quando estava de férias da turnê – Uma voz tão conhecida me chamou atenção. Quando me virei vi aqueles enormes olhos castanhos grudados em mim, ele mantinha as mãos no bolso de sua calça enquanto me observava e eu apenas o olhei.
- Pensei que estava em turnê – Falei ainda sentada no balanço encostada com a cabeça em uma das grades.
- Voltamos ontem à noite, foi só uma pausa antes de irmos para a América – Ele explicou e sentou-se no outro balanço ao meu lado.
- Ainda não entendo porque a minha mãe não de desfez dessas coisas – disse enquanto se balançava em um ritmo quase parado no balanço.
- Talvez ela goste de guardar lembranças. – Sussurrei e me balancei junto a ele.
- Lembranças não muito boas né? Da última vez que e eu usamos esse balanço você sabe muito bem o que aconteceu – falou e eu dei uma gargalhada.
- Você tinha balançado muito alto e ela caiu de cara na lama – eu dei uma gargalhada.
- Dai você veio com um pedaço de madeira querendo me bater e tinha uma ladeira no quintal dos Wilsson e a gente tropeçou e saímos rolando ladeira a baixo – riu e eu ri junto com ele.
- E terminamos em um hospital cheio de pontos na cabeça e nos braços – completei e parei de me balançar colocando os pés no chão, no mesmo instante também parou de balançar e olhou pra mim.
- Por que nós nos atacamos tanto? Desde pequenos e do mesmo jeito amávamos ter a companhia um do outro? - Perguntei olhando para que franziu o cenho e fez uma careta, eu amava quando ele fazia isso.
- Talvez porque essa seja a melhor parte – Ele falou se levantando – Se lembra quando você me viu chegando em casa naquele dia? Você até deixou os pratos caírem – riu e agora eu que fiz uma careta.
- Deve ser porque eu tinha me assustado com essa sua cara feia – dei uma risada e me levantei e olhou pra mim com um ar desafiador.
- Ou porque você ficou completamente nervosa ao me ver de novo! - Ele deu de ombros e eu senti faíscas soltarem pelo meu corpo inteiro, eu realmente queria matar !
- Engraçado, é só eu falar em 'Atacar' que ligamos o sinal de alerta! Talvez atacar seja a minha palavra maligna e preferida – Falei desafiadora e ele riu.
- Nossa palavra preferida !
- Sempre convencido, LIGERIAMENTE convencido e sempre tendo certeza que pode TER TUDO o que quer! Acho que o ditado de “As pessoas mudam” Não vale pra você , porque você sempre foi idiota!
- Talvez eu seja mesmo um idiota. Do mesmo jeito que você me deixou igual um idiota naquele palco depois do show! Talvez eu tenha me enganado sobre a pessoa que você se tornou também.
- Se enganou mesmo, você não deve confiar em crianças, há muitas crianças más no mundo! - Falei com raiva e abri os olhos e vi que ele me observava, respirei fundo e corri pra dentro de casa e fui para o quarto de onde ela provavelmente estava assistindo pela vigésima vez Um amor pra recordar. Bati a porta com força e me escorei nela e cai no chão.
- O que foi? - perguntou percebendo a minha raiva e eu bufei.
- Seu irmão, como sempre o idiota de – falei me levantando e indo até o banheiro e me olhei no espelho. Depois passei uma água no rosto e sequei com a toalha. Era uma droga de coincidência que todas as vezes que eu vinha dormir na , ele sempre aparecia como se fosse telepatia. Mas amanhã eu iria pra casa e só voltava aqui quando tivesse certeza que ele estava bem distante de Londres.
- e , e ... Os mesmos brigões desde crianças e agora os mesmos idiotas adolescentes mas que no fundo amam a companhia um do outro. Ás pessoas não mudam. A pessoa que inventou essa frase tinha razão.
- As pessoas não podem mudar completamente, mas tem coisas que mudam sim, só que ás vezes as pessoas que não percebem. - Sussurrei fechando a porta do banheiro para colocar o pijama. Depois que o coloquei, abri a porta me sentei na cama junto com roubando seu pacotinhos de fini.
- Porque Um amor pra recordar, ? Porque sempre ele? - Perguntei olhando pra minha amiga que estava concentrada no filme.
- Por que é tão difícil encontrar alguém que te ame tão incondicionalmente e que quando descobre que não vai ter a pessoa que ama por muito tempo, faz todo o tempo que resta ser tão significante e especial como se todos os dias fossem os últimos, quando na verdade são. - ela suspirou.
Engoli o seco e senti vontade chorar eu não estava num dia bom e ver histórias assim só me deixava mais melancólica ainda mesmo passando por uma seção de fúria a alguns minutos atrás.
- Por que sempre que encontramos um amor verdadeiro, vem alguma coisa pra separar? - Perguntei engolindo o seco e sorriu triste.
- Você tem que entender que quando você encontra um amor verdadeiro, nada pode separar, nem uma doença ou uma amnésia e nem mesmo a morte. - falou sincera.
- Em todos que você citou são histórias do Nicholas Sparcks, todas as histórias dele por mais lindas que sejam sempre vai haver algo triste.
- Talvez alguém quebrou seu coração e mesmo ele escrevendo uma história feliz, sempre vai haver uma dor, mesmo que seja na pontinha do coração. - terminou de falar e eu suspirei. Talvez essa fosse a minha história, por mais que eu fosse feliz, sempre iria haver uma dor, mesmo que fosse lá no fundo do coração. O problema da dor era que ela sempre precisava ser sentida e não havia nenhum remédio para curar a dor do coração. John Green tinha me ensinado isso.

Acordei sonolenta no meio da noite e notei que já se passavam das 01h00 da manhã. Coloquei meu roupão de desci a escada ainda zonza, tinha esquecido meu diário em cima da janela onde eu estava escrevendo mais cedo, só torcia pra que ninguém estivesse lido ou tocado. Desci as escadas coçando os olhos e caminhei até a cozinha pegando um pacote de salgadinhos logo em seguida caminhei até a sala pra tentar assistir alguma série já que agora eu tinha perdido completamente o sono. Quando cheguei na sala um completamente jogado no sofá me fez bufar. Foi em direção ao sofá oposto e encolhi os pés abrindo o enorme saco de salgadinhos enquanto olhava para a TV.
- Eu ainda não acredito que você está com essa cara ! - falou intrigado e eu continuei olhando pra TV e comendo o saco de salgadinhos.
- É a única que eu tenho, se você quiser me pagar uma plástica talvez eu possa mudar. – falei irônica e ele riu pelo nariz.
- Não, eu gosto dessa cara – ele deu de ombros.
- Que bom, porque eu não estava afim de muda-la só porque você quer. – respondi.

* * *
- Me passa o salgadinho? - Ele perguntou depois de um tempo e eu joguei para o lado dele.
- Obrigada – ele falou ironicamente e continuei assistindo o filme que ele havia posto.
- E os mesmos maus gostos para filmes... Tem coisas que não mudam – eu dei uma risada.
- Só por causa desse comentário maldoso, eu vou mudar pro jogo – ele pegou o controle e botou em uma canal de futebol aonde o Shelsea estava jogando, fiz uma careta. - Ah não ! - Resmunguei e olhei pra ele tomando controle de sua mão e colocando em outro canal qualquer. - Você não deveria ter feito isso – ele manteve seu olhar ameaçador o que me fez rir, peguei uma almofada e joguei em sua cara, ele arregalou os olhos e eu dei uma risada, quando ele pegou outra almofada e jogou na minha cara.
Levantei ficando em cima do sofá pra atacá-lo com outras almofadas enquanto ele jogava outras e mim e começamos a rir feito duas crianças novamente. Ele conseguiu me alcançar e tropeçou no chão quando caiu em cima de mim, aquilo era uma coisa bem clichê pra se dizer a verdade, mas era uma coisa que nunca tinha acontecido comigo antes, eu pude sentir meu coração se acelerar quando seus olhos castanhos encontraram com os meus, ele iria me beijar e dessa vez eu não iria lutar, eu estava anestesiada, ele roçou seus lábios nos meus e mordeu meu lábio inferior e eu abri a boca lentamente para sentir o gosto dele, o beijo dele era tão bom, era diferente, daqueles que você nunca quer viver sem.

Eu não tinha certeza de quanto tempo nós ainda estávamos naquele beijo, estávamos sentados no chão encostados no sofá e eu já poderia adivinhar que os meus lábios já estavam vermelhos, iguais os dele. Eu só queria que aquele momento nunca acabasse, mas eu sabia que era hora de encarar os seus olhos e eu não fazia ideia do que fazer, eu não tinha ideia do que falar, ele parou de me beijar e finalizou com um selinho e eu senti o meu coração gritar, eu queria ficar ali, mas eu sabia que eu não iria conseguir encará-lo, não hoje. Olhei para os seus olhos castanhos antes de me levantar e pegar meu caderninho e sair correndo igual uma criança. Subi as escadas e tranquei a porta do quarto e me escorei na parede até cair sentada no chão, mordi o lábio inferior e sorri consigo mesma. As tão famosas borboletas agora rodavam pelo meu estômago, eu nunca tinha sentido isso na minha vida e agora parecia uma coisa tão louca, levantei e deitei na cama ao lado de e dormir com mil pensamentos possíveis.

Continua...
N/a: Oi gente! O que acharam do capítulo de hoje? Me desculpem pela demora pra postar, mas eu estou em provas...O prazo como eu disse é esse: Uma semana. Espero que vocês tenham gostado. E ah: Obrigada pelos comentários, eu fiquei muito feliz com eles. Espero que vocês também comentem aqui nos comentários o que acharam sobre esse capítulo porque me deixa bem feliz! Um beijo.
Próxima atualizaçao: Sábado que vem. Caso tenha bastante comentários, dou um jeito de postar antes!
a

8 comentários:

  1. Ah mds, tá muuuito perfeito, continuaaa! ❤
    Ysadora :)

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  2. Yaash todos os capítulos estão muuito perfeitos! Não vejo a hora de ler o próximo!😍

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    1. Ebaaa! Que bom que gostou, Alana! Vou postar em breve! hahahaha

      beijos!

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  3. estou amando essa fic, Yash! já me viciei e tô ansiosamente esperando o próx. capitulo! :)

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    1. Obrigada, Larissa! hahahaha. Vou ver se consigo postar ainda nesse fim de semana! ♥

      Beijos

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