"A casa na árvore"

Parte 03 FINAL
Pegue a corda, lace a corda e puxe.

A casa na árvore parte 04- Por Yash


Parte 04 - Final


Fazia duas semanas desde que voltaram de Nashville. A avó de não poderia está mais feliz desde que soube que a neta e estavam juntos, já Will tinha demorado pra digerir tudo isso, mas tinha acabado aceitando tudo numa boa. Agora estavam os quatro, ela, , sua avó e Will em uma mesa de jantar, organizada por sua avó. e não sabiam o que dizer enquanto Will mantinha seu olhar na janela, como se tivesse constrangido demais.
- Então meus queridos, vocês já...? - A avó fez uma cara safada e arregalou os olhos e Will começou a dar risadas.
- VOVÓ! - a repreendeu e a senhora deu uma risadinha.
- O que foi? Na sua idade a minha flor, já tinha desbotado há muito tempo! - ela ousou a dizer e o rosto de ficou vermelho igual um tomate, já parecia paralisado, Will tinha passado do estágio risos para uma careta infeliz.
- Vovó, a gente pode falar outra coisa pra mim não me imaginar a minha irmã desse jeito? Tá me dando nojo – Will cuspiu e abriu a boca indignada.
- SEU IDIOTA! - Tacou um guardanapo bem na cara do irmão e deu uma risada assim como Christin.
- Aaah eu não deixava! - A avó provocou e olhou para a velhinha de boca aberta, depois soltou uma risada.
- Quem disse que eu não vou deixar? - Will pegou dois pãezinhos e tacando em .
- SEU IDIOTAA! - Gritou subindo na cadeira pegando dois ovos em cima da mesa e tacando bem na cara do irmão e deu outra gargalhada.
- Tá rindo seu mané? - Will sorriu e pegou a torta de amora – Isso é por você ficar com a minha irmãzinha! - Acertou a torta em que ficou com o rosto sujo de glace e deu risada.
- Ai que lindo né, namorada? - sorriu pegando pelo braço e a sujando, o que a fez soltar um gritinho.
- Me solta, ! - ela riu e depois conseguiu se soltar tacando outra torta no namorado enquanto sua avó ria bem longe da sujeirada toda.
- TACA OUTRA NELE ! Defenda sua garota! – atiçou a mais velha e riu pegando outra torta e tacando em Will.
- Espera ai – gritou e depois olhou para os três que ficaram paralisados e depois olhou para sua avó.
- Vovó a senhora tinha que separar a briga e não ficar colocando lenha na fogueira! - riu, limpando glace do seu rosto e a senhora deu uma risadinha.
- Eu não me meto em brigas, querida. Eu só me divirto com elas. – a avó falou sapeca cruzando as pernas e pegando uma revista.
- A senhora é avó mais louca que eu já tive! - Will disse e senhora riu.
- Melhor do que ser aquelas senhorinhas chatas mal humorada caduca não é? Então calem a boca – ela sorriu e depois se se levantou.
- A faxina é todinha de vocês, boa noite. - Deu uma piscadela ir e saiu da sala, riu e a abraçou por trás e Will fez cara de nojo.
- Ei larga com essa cara de cão que chupou limão – olhou para o amigo.
- Cala boca, ! - ele deu uma risada e deu língua por irmão.
- Calem a boca vocês dois, vamos limpar essa bagunça.
* * * andou em direção ao corredor e entrou no quarto da sua avó sem fazer barulho, olhou para cama e a viu sentada com seus óculos lendo algum livro. Avós normais leriam livros antigos, a sua lia livros apimentados. Olhou pra capa do livro e leu o título; Cinquenta tons de liberdade. Abriu a boca indignada e depois soltou uma risada.
- Vovó a senhora está lendo esse livro? - Perguntou sentando ao lado na cama e avó riu. - Porque não?
- E a senhora já está no último livro da trilogia?
- Você fala como se eu fosse uma criança, é porque eu não escrevi as coisas que eu fazia com o seu avô.
- Vovó, eca! - fez cara de nojo e a avó riu.
- Você gosta dele não é mesmo? - A avó perguntou e sorriu, sabia de quem estava falando.
- Demais. - suspirou – Espera ai, nós estamos falando do né? - arqueou as sobrancelhas a senhora riu.
- Lógico, eu não quero a minha neta namorando caras velhos isso é nojento menina!
- Ah sim – deu uma risada sem graça – Ele desperta um lado meu que nem eu mesma conhecia – sorriu – Ele me faz sentir livre.
- Então acho que você acabou encontrando a pessoa certa – A avó segurou na mão da neta e sorriu
- Talvez eu tenha encontrado mesmo.

* * *


Fazia exatamente dois meses, desde que aquela simples paixão por tinha virado amor, daqueles que são difíceis de explicar, daqueles bem indecifráveis que só nós sabemos o significado. A casa na árvore estava ficando quase pronta, eu tinha aprendido a montar a cavalo e como tirar ovos das galinhas sem perturba-las. Era difícil se perguntar no que eu estava no que eu estava me metendo já que a minha vida inteira pertencia à Nova York e as telas do cinema. Mas eu me sentia em paz aqui, e só faltavam apenas um mês para que todo esse sonho acabasse de vez.
Despreguicei-me e me afastei dos braços de que dormia profundamente. Coloquei um casaco e sai da casa na árvore. Nós tínhamos passado a noite inteira aqui e acabamos perdendo a hora de voltar pra casa.
Peguei o envelope que vinham nas últimas três semanas me perturbando e sentei de baixo da árvore, abrindo o envelope com a mínima rapidez, eu já sábia o que era, só não sabia se queria ler o que estava escrito ali novamente.

"Querida, .
É com muita honra e o prazer que a convidamos para fazer um teste para a personagem principal da nossa mais nova série, Winter games.
As gravações começarão no inicio do outono e como conhecemos e adoramos o seu trabalho, suas chances de interpretar Michele Griffin são boas.
Esta é uma carta amistosa, o contrato original foi enviado para Nova York.

- Abraços, Equipe CW."


Coloquei o papel de volta no envelope e fiquei olhando o nevoeiro passar, aquela imagem era uma das minhas preferidas de Memphis e eu queria guarda-la em minha memória por tempo o suficiente. Para que sempre que eu quisesse se sentir livre, pensasse em como estaria a manhã naquele lugar.
- Estáa tudo bem? - me perguntou, descendo as escadas com os cabelos bagunçados e eu sorri. Ele me deu a mão para eu me levantar e eu o encarei guardando a carta no bolso do casaco para que ele não visse.
- Está tudo ótimo. Por que a gente não volta pra casa da vovó, toma um banho, troca de roupa, toma o café que ela vai forçar a gente tomar e não volta pra finalmente decorar a casa? - Dei o meu melhor sorriso e beijou o meu rosto.
- Acho uma boa ideia, mas já falei...
- Nada de rosa! Eu já sei mala! – eu ri enquanto subia no cabalo.

* * *

- Vocês já terminaram? - Vovó perguntou enuanto colocava o café na mesa e sorriu.
- Só falta pintar, essas coisas.
- E eu que vou decorar, claro. - Dei o melhor sorriso.
- Já sei que vai ficar rosa e branco, rosa e branco, rosa e branco – Will entrou na cozinha sentando-se ao meu lado e eu fiz uma careta.
- Cala a boca seu idiota. – eu disse enquanto fingia estar brava, mas a risada me entregou.
- Parem com isso vocês dois! Parecem duas crianças. E Will nem parece que você está na faculdade e a nem parece que é uma atriz. - Vovó – bufou e deu uma risada. - Concordo. - Hey! - Will protestou. - O que? - riu. - Pensei que fosse meu amigo. - E eu sou, mas isso não significa que eu vou ficar do seu lado enquanto a sua avó te zoa falando verdades – provocou e o amigo bufou. - Calem a boca vocês dois, eu vou tomar banho e já desço. me encontra na casa da árvore, e toma leva isso – tirei o casaco e entreguei para . – Eu vou precisar pra poder pintar a casa na árvore sem estragar minhas blusas – eu disse enquanto o dava um selinho rápido e subia as escadas. Um banho era tudo o que eu precisava. OF. tomou um banho quente e se enxugou olhando no espelho, nem se reconhecia mais. Fazia meses que não tinha mais usado maquiagem e vestia apenas roupas simples. Tinha abandonado seus sapatos de salto no fundo do armário e substituído por allstar e sapatilhas. Vestiu uma roupa limpa, penteou os cabelos e foi em direção ao celeiro para pegar príncipe. Desde que a carta chegou, vinha se perguntando qual decisão tomar, mas a dúvida tinha acabado ontem, ontem tinha feito todas as suas dúvidas irem embora, no momento em que estava em seus braços. Sabia que amava Nova York e também amava atuar. Mas no momento em que soube o que era amar uma pessoa de verdade, tinha certeza que isso não poderia ser substituído por nada.

Flashback ON

Acabou de pregar o último prego com o martelo na madeira e suspirou. a olhava com os olhos brilhando como se ela fosse a pessoa mais linda do mundo. Talvez fosse mesmo, mas aquele olhar era difícil de imaginar no que ele estava pensando a respeito dela.
Suspirou e sentou ao seu lado e olhou para seus olhos e sorriu.
- Porque me olha? - perguntou enquanto sorria e sorriu de volta colocando uma mexa do cabelo da atriz para trás.
- Porque você é linda – ele respondeu e sorriu e o beijou. a abraçou para que ficassem mais perto um do outro e encostou o rosto em seu peito enquanto olhavam para a vista da casa na árvore, era um lago, um dos mais lindos que já tinha visto, pensou que poderia passar um dia inteiro vendo aquela vista nos braços de , não iria se cansar tão cedo.
- Sabe, essas férias me ajudaram muito, eu mudei muito, despertei coisas em mim que nem eu mesmo sabia que tinha. - confessou e sorriu alisando os cabelos da namorada.
- Acho que essa foi as melhores férias da minha vida – confessou. - porque apesar de tudo, eu conheci você. - A voz dele era doce, o que fez sorrir. Retirou a cabeça de seu colo para olha-lo nos olhos e sorriu.
- Obrigada por me mudar tanto, obrigada por me fazer sentir livre eu... eu... Eu amo você sorriu de verdade e passou as mãos pelo rosto da namorada e depois deu um beijo em seus lábios.
– Eu também amo você pequena. É difícil de dizer essas coisas, mas é bem mais fácil quando você sente de verdade. E eu sei que quando as férias acabar, mesmo quando tudo isso acabar, eu não vou lamentar porque realmente valeu a pena a cada segundo que eu passei com você. Até mesmo das brigas – ele riu triste e sem pensar duas vezes o beijou, beijou como se não tivesse mais ninguém que importasse a não serem os dois. Ela o amava depois daqueles segundos tinha certeza que iria ficar.

Flashback OF

Cavalguei com Príncipe até a casa na árvore e o amarrei em uma árvore perto dali, quanto o fiz, notei que estava sentando no gramado, de frente pro lago. Andei até onde ele estava e sorri. - Já cansou preguiçoso? - Brinquei e ele continuou olhando para o lago, sua expressão era séria e depois de alguns minutos ele levantou e me encarou com cara de poucos amigos. - Porque você não me disse? – perguntou estendendo o envelope e sentiu seu coração apertar. - Você acha que as coisas funcionam assim? - ele parecia injuriado e mal olhava para mim e o meu coração doeu – Você deveria ter me contanto caramba! Mas eu entendo, você é como todas aquelas garotas, você nem gosta daqui! Tudo isso é cena pra ir embora mais rápido e já que você se “comportou” ganhou até um prêmio.
- NÃO FALA ASSIM COMIGO! ISSO NÃO É VERDADE! - gritei com lágrimas nos olhos, ele não poderia está falando sério.
- A NÃO É VERDADE! VAMOS PARAR ME MENTIR ! TODO MUNDO SABE QUE VOCÊ ODEIA ESSE LUGAR, QUE TUDO ISSO FEZ PARTE DO SEU PLANO PRA IR EMBORA DAQUI! – ele gritou. Depois de alguns segundos me olhou e respirou fundo. Será que aquilo teria como ficar pior?
- Só que eu não sou brinquedo de ninguém pra você pegar e largar quando você quiser. Você se lembra da sua conversa no telefone com a sua amiguinha há um mês? Dizendo que iria fazer de tudo pra sair desse lugar o mais rápido possível? Eu tentei acreditar que você mudou, mas acho que eu estava errado! Você deveria aceitar o convite da CW, afinal, nada importa mais do que a sua fama e todos aqueles sets de gravação! - montou em Shadow e saio andando com o cavalo.
- VOLTA AQUI! – berrou entre os soluços, tinha estragado tudo. Tinha que contar a ele que queria ficar, tinha que contar a ele como ele estava enganado quando a ouviu dizer a Claire que planejava a ir embora sem pensar duas vezes, da última vez que ela ligou. Ela tinha que contar a ele que era tudo mentira.

Flashback ON

sorriu pegando o telefone, já sabendo que era o toque de Claire, apertou o botão de atender e sorriu. - Oi florzinha! - Hey garota das galochas. Como está a vida na fazenda? - Até que tá legal, eu estou simplesmente amando cada pedacinho desse lugar. Eu estou namorando com o , Clair. – sorriu mesmo sabendo que Claire não estava vendo.
- MENTIRA!!! O Cowboy gostoso?
- Sim amiga, da pra acreditar?
subiu as escadas de vagar se perguntando no que a namorada estava fazendo, ela tinha esquecido a bolsa em cima da árvore. Passou pelo quarto e viu sua voz rindo seguiu até a porta quando ouviu o que jamais pensara que iria ouvir.

- Mas sabe, eu odeio essa fazenda, to fazendo de tudo pra ir embora logo o mais rápido o possível.

engoliu o seco e sentiu a raiva ficar presente, saiu de lá, descendo as escadas o mais rápido que pudera.

- To vendo, pelo visto você tá odiando! - Clair disse do outro lado da linha.
- VIU AMIGA! Eu estou perdendo essa pratica de atuar, até dizendo isso você sabe que é mentira. Mas é sério, eu estou amando. O é simplesmente maravilhoso, acho que eu nunca mais quero ir embora daqui – suspirou.
- Ai com o amor é lindo – a amiga e riu.
- E é mesmo, não pretendo ir embora daqui tão cedo.

Flashback OF.

Ás vezes o amor não bastava, o amor nunca bastava quando a sua alma e o seu ego era destruído. Ás vezes um simples erro, uma palavra sem pensar, poderia destruir tudo e a todos. Das coisas mais simples até as mais difíceis. Fazia exatamente uma semana desde que não ouvia falar em , Will tinha dito que ele tinha ido para Flórida ficar as últimas semanas de férias com os seus pais. Era sexta feira, iria embora no domingo. Depois de quase uma semana sem ver e ele ferir tanto o seu ego quanto seu coração dizendo todas aquelas coisas que não era verdade, tinha desistido de correr atrás, simplesmente tinha cansado de se ferir, tinha chegado ali, era um grande passo pra alguém que tinha o coração simplesmente fechado, que odiava todos em sua volta e que nunca pensara em botar os pés em uma cidade pacata do Tennessee. Tinha crescido, evoluído e aprendido, ele não poderia dizer aquelas coisas sobre ela, mesmo com raiva, mesmo estando enganado, ele não poderia ter dito aquilo. Por um estante tinha se arrependido de tentar viver naquele lugar, tinha se arrependido por deixar se abrir, de ser uma pessoa normal. Porque era bem melhor ter o coração vazio, do que destruído. Era bem melhor as pessoas não se relacionarem com ela ou conhece-la do que conhecer alguém que sempre vai fazer falta na sua vida, que nunca vai está ali pra encoraja-la e para faze-la sorrir. Era bem mais fácil viver sem ninguém, do que com a falta de uma pessoa que você nunca mais vai ver.
Mas tinha cumprido sua missão naquele lugar, tinha aprendido muita coisa, mesmo se arrependendo por um momento, se arrependeu de se arrepender, porque mesmo doendo, mesmo saindo com um coração ferido, tinha aprendido muita coisa, tinha aprendido que o amor realmente existia, tinha aprendido que a família era importante, mesmo ela não sendo perfeita. Sua avó era a pessoa mais doce engraçada e nunca saberia disso se não tivesse a conhecido direito. Talvez ela fosse a melhor razão para não ir embora, não queria deixa-la ou muito menos dizer adeus a ela, porque fazendo isso, diria adeus para todas as risadas, também diria adeus para os momentos em que conversaram que foram felizes naquele verão.
Ela sabia de todas essas coisas, mas algo o que ela sabia mais ainda é que nada pode ser começado sem terminar. Se não terminasse o que tinha começado naquele verão, nunca iria sair dali por inteira de verdade.
Tinha passado a última semana inteira decorando a casa na árvore, que parecia estranha, vazia e calma sem ali. Aquela era uma parte dele que pretendia guardar com ela para sempre. Tinha pintado de tons azuis com branco, por dentro tinha botado um pufe enorme que rodeava a primeira parede inteira com várias almofadas com tons azuis. Também havia uma mesinha na outra parede com vários bloquinhos de papel e canetas, caso de alguém querer passar um tempo sozinho escrevendo, era o que ela fazia quando queria escrever algo em seu caderno, simplesmente procurava um lugar calmo para por todos os seus pensamentos em ordem.
Colocou um abajur no canto da parede e rodeou todas as paredes com pisca-piscas amarelos de natal. Tinha acabado, finalmente tinham acabado de construir a casa na árvore, a casa em que ficaram aquele verão inteiro construindo, e que por fim, acabou. Suspirou e sorriu, porque mesmo seu coração doendo em meio a tristeza, tinha terminado.
Aquele seria um lugar pra lembrar de todos os momentos bons que tinha passado ao lado de e para lembrar que todos podiam mudar. Olhou em volta e viu que faltava apenas uma única coisa naquela casa que faria toda a diferença; Pegou o porta-retrato com uma foto dela e de que haviam tirado em Nashville onde ele fazia uma careta e segurava câmera rindo enquanto os dois estavam abraçados ao lado de um espantalho.
Riu consigo mesma lembrando-se daquele momento e colocou o porta-retrato em cima da mesinha e sorriu consigo mesma, tinha terminado.

[...]

Epílogo


Quatro anos depois...

Era um dia chuvoso e a única coisa que conseguia fazer era chorar, não queria voltar para aquele lugar, queria voltar, mas não assim... Não desse jeito. Era estranho está ali pra ver a única pessoa que tinha conseguido lhe arrancar várias risadas ir embora para sempre. Estava em Nova York, na festa de despedida da sua última série Winter Games, quando seu telefone tocou, e quando a pessoa do outro lado da linha disse a coisa que jamais queria ouvir de jeito nenhum, chorou. Era a sua mãe, chorando do outro lado da linha, enquanto seu pai parecia acalma-la. E quando ela falou uma única palavra "Avó" soube que realmente tinha acontecido, ela tinha ido embora... Sentiu as lágrimas rolarem e saio correndo sem dizer a ninguém, porque para ser sincera, não queria ninguém que a confortasse, só queria chorar, porque a única pessoa que queria que estivesse ali com ela, tinha a esquecido há muito tempo e não tinha mais nada que pudesse fazer.

Andou pelos ladrilhos com seu salto preto e segurando um guarda-chuva da mesma cor. Claire estava ao lado da amiga enquanto olhava as lágrimas escorrerem no rosto de . Will andava mais a frente com a mesma dor nos olhos, mas não tinha nada que pudesse fazer, não poderiam mudar o futuro. De repente a chuva começou a cair mais forte, de um jeito que nunca tinha visto, parecia que era para lavar todas as tristezas, lavar todas as coisas que aconteceram, lavar as lembranças que agora, doíam tanto . Mas mesmo assim continuou caminhando, como todas aquelas pessoas no cemitério, caminhando até o túmulo aonde sua avó iria ser enterra enquanto um carro iria até o local com o caixão.
Sentiu seu coração apertar, não queria ver, não queria pensar no fato que nunca mais iriam conversar e rir, nunca mais iria ver sua avó lendo livros pervertidos e falar coisas que nenhuma avó falaria para seu neto. Só tinha coisas boas para lembrar-se dela, e era assim que queria seguir em frente. Claire apertou o braço da amiga e levou os olhos ao lado esquerdo, então viu alguém que nunca mais tinha pensado em ver, e mesmo se passando anos o seu coração apertou mais uma vez. Era , ele estava diferente, tinha crescido, usava uma camisa social preta e estava ainda mais bonito, tinha se formado, agora deveria ser um arquiteto, pelo menos era o que ele tinha lhe dito quando estavam juntos, só não sabia se ele tinha mudado de ideia. olhou para trás e ele a viu. olhou para o rapaz como se fosse a única coisa que lhe mantivesse em pé ali. Já ele não demonstrava nenhuma emoção, não demonstrava estar bravo e nem feliz em vê-la, ele só parecia surpreso igual a ela. Quando ele se virou pra frente Claire olhou para a amiga.
- Então é ele? - A amiga perguntou e assentiu.
- Sim, é ele. - Respondeu-lhe.
Quando chegaram ao local e viu o caixão ser baixado, as lágrimas começaram a escorrer pelo seu rosto, não aguentaria ver aquilo, porque ali não só seria enterrado sua avó, como também estavam enterrando todas as risadas, todos os momentos felizes, todas as conversas e todas as brincadeiras, aquele era um lado feliz da sua vida que nunca mais iria viver novamente, porque tinha acabado. As lágrimas não paravam de escorrer e as mãos da atriz já estavão trêmulas.
- Não – ela sussurrou e Claire abraçou a amiga.
- calma, vai ficar tudo bem. – A amiga a assegurou com a voz triste de presenciar aquele momento triste não só para a família, mas para todos que amavam e admiravam Christin .
- N-não – ela não tinha forças pra gritar porque a dor tinha a consumido. Ela era a sua única parte feliz, ela não podia ir embora. A maquiagem de já estava borrada e Will segurou a irmã, sabia que todos olhavam pra ela mais não estava nem ai.
- VOVÓ NÃO! - gritou vendo o caixão ser baixado para a cova. Sabia que não poderia ficar ali pra ver aquilo, não poderia ficar ali pra ver a única parte feliz da sua vida ser enterrada. Então saiu correndo pelo cemitério, queria ir embora, só queria encontrar um lugar calmo e vazio para poder chorar.
- Eu vou atrás dela – Claire falou enquanto todo mundo parava para ver a cena.
- Deixa ela, ela só precisa encontrar um lugar pra chorar, ou um ombro pra que ela possa fazer isso. - Will disse para Claire que sorriu triste vendo a amiga correr.

Então depois de tanto tempo, era ali que queria estar, era o único lugar que podia lhe dar conforto. Subiu na casa da árvore, que mesmo passando anos estava do jeito que ela tinha deixado. Quando entrou lá dentro, viu que estava tudo do mesmo jeito. Sentou-se no pufe e abraçou as pernas e chorou, chorou por ser uma idiota, chorou por perder a vovó, chorou também por nunca mais ter encontrado alguém que valesse mesmo a pena, chorou por nunca ter amado ninguém desde que tinha ido embora, chorou por que não tinha mais ninguém que pudesse conversar além de Claire, chorou porque queria que quatro anos atrás voltassem, queria o seu verão de volta, queria que tudo voltasse como fora há quatro anos atrás.
Tinha se passado alguns minutos, talvez dez, não tinha certeza, já tinha chorado demais e a única coisa que queria era ficar ali, quietinha como uma criança de dez anos que havia acabado de perder a sua boneca favorita. Encostou sua cabeça na parede e fechou os olhos tentando pensar que, apesar de tudo, o destino ainda iria lhe trazer algo bom, algo que fosse pra ficar e não ir embora nunca mais.
Quando de repente sentiu seu corpo ser puxado e ser aninhado nos braços de alguém, não precisava abrir os olhos para saber quem era, porque ela já sabia. Então fungou enquanto a abraçava forte, aquele era o único lugar que ela queria estar, e mesmo passando anos, tinha certeza desde o inicio que nunca esteve errada. Porque do nada, ele tinha virado tudo.
- Você tá aqui. - Ela sussurrou, porque precisava ter certeza que era ele, precisava ouvir a sua voz dizendo que tudo aquilo era verdade porque parecia mais um sonho.
- Sim, eu estou. – ele falou calmo e fungou.
- Sinto sua falta – sussurrou triste e encostou a cabeça na dela.
- Eu também sinto a sua. - Ele falou e beijou os cabelos da garota.
Ficam minutos ali, somente abraçados apenas ouvindo a respiração um do outro como se isso fosse o suficiente, não precisavam dizer nada só de saber que estavam juntos, bastava. - Se lembra daquele verão, que você e a sua avó conversaram e ela disse já tinha vivido por muito tempo? - perguntou baixinho depois de alguns minutos, para que só a garota pudesse ouvir e assentiu ainda aninhada nos braços do garoto.
- Ela disse que queria ir encontrar com o seu o vovô e que já tinha vivido tudo que era pra viver... – lembrou. - Eu estive aqui mês passado, eu arrumei uma folga e vim pra cá... Parecia um sinal, eu não sei... Quando eu cheguei aqui ela estava caída no chão chorando de dor. Ela tinha caído da escada e estava sozinha, então eu a levei para o hospital. Parecia um aviso ou uma intuição de Deus sabe? Então quando eu estava na sala de espera do hospital, eu pedi obrigada a ele por me guiar até lá. Quando os médicos me chamaram, eles disseram que ela tinha quebrado o fêmur e que caso sobrevivesse, porque ela já estava bem velhinha, iria ficar na cadeira de rodas. A sua avó não era um tipo de pessoa que concordaria em ficar em uma cadeira de rodas, ela era aquela senhora ativa que contava piadas e botava pilha pra gente brigar, igual à guerra de comida naquele ano. Então quando eu contei a ela o que os médicos me disseram ela segurou na minha mão e disse que já tinha vivido tudo o que a vida lhe dera de bom, que tinha conhecido você e que tinha passado mais tempo com o Will e que tinha feito vocês dois acreditarem que ainda existem avós no mundo que são velhas, mas com almas de jovens. E que você só é velho se a sua alma for também e enquanto você for jovem por dentro, você nunca iria ficar velho de verdade.
- Típico de Christin choramingou levantando do colo de e limpando as lágrimas. continuo a falar enquanto prestava atenção.
- Ela era jovem por dentro, mesmo sendo idosa, ela não se imaginaria em uma cadeira de rodas... Então quando ela soube, ela perdeu a vontade de viver e disse que tinha chegado a hora de ir se encontrar com o seu avô e com seus familiares. Os dias foram se passando, e o caso dela se complicou cada vez mais, ela teve várias paradas cardíacas até a sua mãe chegar, que foi o dia que ela faleceu.
- Ontem... - disse olhando para o nada, fungando mais uma vez, limpando as lágrimas que teimavam a escorrer pelo seu rosto.
- Hey... - sussurrou e olhou para o rapaz.
- Ela tá aonde ela quer está, jovem no céu com seu avô – ele tentou conforta-la e sorriu fraco.
- Obrigada... Por está aqui, por estar lá quando isso aconteceu, eu não sei o que eu faria se você não estivesse aqui.
- Eu estou aonde eu preciso estar. - o rapaz colocou uma mecha do cabelo de para trás.
- Você voltou aqui... Depois que eu fui embora? - quis saber e olhou para a janela, que dava vista para o lago e logo em seguida para a menina.
- Quando eu voltei da Flórida, vim pra cá um dia antes de terminar o verão. E mesmo eu chegando aqui, eu não conseguia vir aqui, porque tudo me lembrava a você. Então eu passei o dia inteiro adiando, eu fui visitar a sua avó, depois fui até a faculdade do Will... Quando o sol tinha começado a ser pôr eu sabia que não poderia mais esperar, eu tinha adiado o dia inteiro. Dai eu vim pra cá e quando eu entrei aqui dentro eu tive a certeza que eu nunca tinha pensado em como eu estava errado aquele tempo inteiro. Tudo aqui me fazia lembrar a você, tinha o seu cheiro e quando eu vi aquele porta retrato eu me arrependi de tudo, por não ter me despedido da forma certa com você. Mas eu não fiz isso porque ela difícil aceitar o fim das coisas que eu amo, eu não queria ver você ir embora, então eu deixei que aquele momento fosse uma desculpa pra eu ir embora e não ver você partir.
- Eu não iria ir embora – murmurou – Eu não iria.
- Eu sei... Mas você precisava. A gente só tinha dezessete anos. Eu precisava voltar para o colégio e você sabia que precisava voltar para Nova York. Era impossível nós ficarmos juntos naquele verão.
- Você se formou em arquitetura? - quis saber e riu e imaginou como tinha sentido falta do seu sorriso.
- Uhum... - ele disse e estendeu a mão para pegar o bloquinho que tinha deixado ali, em cima da mesinha a anos atrás. Entregou a ela que sorriu folheando as páginas com vários desenhos que tinha feito, alguns eram casas, outros eram prédios. E era tudo absolutamente tão perfeito.
- Esses primeiros são do primeiro verão desde que você foi embora – ele disse – eu vinha pra cá e ficava pensando que não tinha mais nenhuma tagarela aqui para falar o tempo inteiro. Então só ai que eu vi o quanto eu sentia sua falta – ele deu um sorrisinho e sorriu – então eu comecei a desenhar. - Ele virou as outras páginas – e esse são dos últimos três verões.
sorriu pensando no quão talentoso ele era.
- Quando eu pus esses bloquinhos aqui, eu pensei que fosse em vão, que ninguém iria usar... – confessou.
- Eu gostava de ficar aqui toda vez que vinha pra cá, me fazia lembrar de você.
- Eu visitava a vovó em todas as primaveras, porque era o único mês que eles me liberavam da gravação. Então eu passava o mês inteiro com ela, mas nunca tive coragem de voltar aqui... Só hoje, porque eu sabia que era a única coisa que iria me confortar. - suspirou e a puxou para deitar em seu peito novamente. se aninhou em seus braços enquanto ele fazia carinho em seus cabelos.
- Eu nunca me esqueci de você. – suspirou.
- Eu também nunca te esqueci. - olhou para os olhos de , só dai percebeu que os sentimentos que tinha por ele nunca haviam mudado.
- Eu vou morar em Nova York sabia? – disse e os olhos de brilharam. – A empresa achou que eu precisava trabalhar em uma cidade rodeada de prédios para me dar inspiração. – ele riu. – Quem sabe a gente não se encontra por lá. – ele sorriu.
- Nova York é cheia coincidências, quem sabe. –
- Quem sabe. – disse antes de estender a mão para a garota se levantar. Logo em seguida sairão de lá abraçados para encontrar seus amigos, mas o que quase ninguém percebeu foi que e permaneceram juntos.



FIM.



N/a: 14/07/2014 - Sabe, é muito difícil escrever o final, porque nos lembra que encerramos mais uma história da nossa vida que vai ficar para sempre nos nossos corações, ou pelo menos no meu. Mas essa história é especial, porque de certa forma foi em homenagem a uma pessoa especial. Eu tinha dito antes que estava demorando para encerrar a última parte porque estava tentando por uma parte de mim no última parte da fanfic, e assim aconteceu. Ela de certa forma, foi uma homenagem a minha avó. A chuva, a dor, a perda, tudo isso aconteceu, ela era um pouquinho parecida com a Christin [Tá ela não lia livros pervertidos e nem falava coisas pervertidas HAUAHSUA]. E eu quis trazer um pouquinho de mim pra personagem porque me faz sentir melhor. Eu também estava de coração partido quando isso aconteceu e a pessoa que eu queria que estivesse segurando a minha mão não estava lá, ela não pareceu pra me confortar. Bem que eu queria que acontecesse igual a fic, mas não aconteceu... Por isso eu gosto de escrever, eu gosto de refazer histórias e por um final feliz nelas, apesar de tudo.
Espero que tenham gostado, beijos!



N/a: : 18/07/2015: Oi gente! Espero que tenham gostado. Escrevi A casa na árvore em 2014, mas nesse ano corrigi alguns erros de ortografia, mudei o final que eu achei bem clichê o que estava e disponibilizei na versão interativa. :) Espero que tenham gostado. Se não for pedir muito, deixem um comentário? É bem importante pra mim e eu fico super feliz! hahaha beijos!

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